26 de outubro de 2026

The Doors - The End 1970

 


The End ao vivo em 1970: o essencial

“The End” aparece em shows da Roadhouse Blues Tour de 1970, a turnê que os Doors fizeram depois do incidente de Miami em 1969 para promover o Morrison Hotel. Uma versão documentada é a do Felt Forum, em Nova York, no segundo show de 17 de janeiro de 1970. Nela, Jim Morrison insere o interlude “Bring out your dead” antes de entrar na música. Em algumas gravações lançadas depois, o trecho se estende por cerca de quinze a quase vinte minutos. A formação era Morrison no vocal, Ray Manzarek no órgão, Robby Krieger na guitarra e John Densmore na bateria. Em alguns shows daquela turnê, Harvey Brooks entrou no baixo elétrico — a única vez que os Doors tocaram ao vivo com um baixista externo.

A versão de estúdio, de 1966 e lançada no álbum de estreia em 1967, já passava de onze minutos, com progressão lenta de guitarra e órgão, a seção edipiana no meio e o clímax instrumental. Lindsay Planer, no AllMusic, descreve a canção como um relato que mistura amor e ódio, incesto e assassinato, e termina com a frase “This is the end”. O texto nota que a música fazia parte dos sets iniciais da banda, mas se tornou rara depois dos problemas legais de Morrison em 1969. Uma das últimas performances de concerto documentadas está no disco Live in Detroit, de 2000.

Lester Bangs, no ensaio incluído no The Rolling Stone Illustrated History of Rock and Roll, aponta “The End” como o primeiro grande statement dos temas recorrentes dos Doors: dread, violência, culpa sem redenção, os fracassos do amor e a morte. Bangs observa que, com o tempo, a visão de Morrison soava morbidamente óbvia e que a última vez que ele ouviu a faixa ela soou engraçada. Ele também registra o humor irônico de Morrison nos interludes do Absolutely Live, de 1970, o álbum ao vivo que mistura material daquela turnê.

Nas gravações de 1970, a estrutura permanece a mesma do estúdio — abertura suspensa, desenvolvimento, seção falada, clímax e retorno —, mas o tempo se alonga. Morrison varia o texto falado e insere frases. A versão do Felt Forum, no Live in New York, mostra a banda sustentando o groove enquanto ele improvisa. Densmore e Manzarek mantêm o pulso; Krieger segura a linha de guitarra que abre e fecha a peça.

A turnê Roadhouse Blues começou em janeiro de 1970 no Felt Forum e se estendeu até agosto, com datas nos Estados Unidos e no Canadá. Morrison Hotel saiu em fevereiro e chegou ao quarto lugar nos EUA. As performances de “The End” nessa fase são menos frequentes do que nos primeiros anos, mas quando acontecem ainda ocupam o final do set e ainda carregam a duração estendida. Resenhas posteriores, como a do Music Street Journal sobre o Live in Boston 1970, registram que há momentos em que a banda soa no auge ao vivo e que algumas versões longas superam a de estúdio em impacto.

A canção continuou associada à imagem dos Doors depois da morte de Morrison, em 1971. A versão de estúdio reapareceu em Apocalypse Now, em 1979. As gravações ao vivo de 1970 ficaram como documento do período em que a banda ainda tocava a peça em shows grandes, com Morrison ainda presente e a formação clássica intacta. O que as fontes registram é a duração, os interludes inseridos, a presença ocasional de baixo elétrico e o fato de que, mesmo depois dos problemas de 1969, “The End” ainda encerrava alguns shows da turnê de 1970.




Nenhum comentário: