Acreditar, em oito línguas
Mokte, terceiro álbum de Kareyce Fotso, saiu em 2014 pela belga Contre-Jour como um afro-folk acústico e íntimo: voz à frente, violão e um grupo enxuto de guitarristas, percussionistas e backing vocals. O título, em ghomala’, significa “acreditar”.
Nascida em Bandjoun em 1º de fevereiro de 1979 e criada no bairro Mvog-Ada, em Yaoundé, a cantora e guitarrista canta as doze faixas em oito línguas de Camarões. Em cerca de metade delas ela mesma toca violão. “Manke” abre espaço para violoncelo e flauta; nela, Fotso pede desculpa e admite falhas. “Just Believe” reduz o arranjo a voz e guitarra, começa em inglês, muda de língua, inclui um assobio e fecha com um toque de gospel.
“Azany” parte num ritmo vivo, desacelera num deslize à maneira malinesa e volta a subir, com a voz sustentada no clímax. “Kowadi”, escrita por Isnebo Haman, é um dos pontos altos apontados na imprensa; “Messa” soma a guitarra dela a outras três e um trecho falado.
A maior parte do disco foi gravada no estúdio Moto Records, em Yaoundé, com realização de François Kokelaere e Gino Sitson. Para cada língua que queria usar — bamiléké, fulfulde, duala —, Fotso procurou músicos que a falassem e pediu que trouxessem o tempero da própria região.
O projeto nasceu de um choque: de volta a Camarões, ela ouviu que não estava em casa em Yaoundé só porque os pais vinham do Oeste, e trocou o título previsto, The Traveller, por Mokte. O lançamento oficial foi em 20 de maio de 2014, Dia da Unidade Nacional do país.
Se gostou, veja também o anterior Kwegne, de 2010, no mesmo selo. O Mokte está no Spotify; se quiser ouvir agora, comentar ou passar no blog, o endereço é https://quemtempoe.blogspot.com/. spotify

Nenhum comentário:
Postar um comentário