| Sábios leitores, guerra santa no futebol? Só faltava esta. Kaká, o queridinho de muita gente por seus dotes futebolísticos e por outros atributos, deu agora para ir na esteira do general Dunga e atritar a imprensa. O pior é que, a meu ver, o fez da maneira mais incorreta. Um jornalista participa da coletiva do jogador e, na espera da resposta à pergunta feita, surpreende-se que o 10 da seleção de Dunga comece a tripudiar sobre algo que o pai desse jornalista teria escrito a respeito do Kaká. Dando nomes aos bois: André Kfouri, jornalista da ESPN e do Lance, filho de Juca Kfouri, este para mim um ícone da mídia esportiva escrita e respeitado por suas posições corajosas frente assuntos que se refiram a ou tenham a ver com futebol. Conheci o Juca cidadão e convivi mais com essa pessoa do que com o Juca jornalista especializado em esportes, notadamente futebol. Agora, vem o Kaká dar a entender que o Juca o persegue, que, por ser ele, Juca, ateu (palavras de Kaká) tem preconceito com Kaká, por ser o jogador evangélico. Me poupem! Guerra santa no futebol, na na ni na non (é assim que se escreve?), e vinda do Juca Kfouri? Duvido. Faria muito melhor o Kaká se convidasse o Juca para um bate-papo, tomando um cafezinho ou, sei lá, num almoço ou num jantar, para tirarem as diferenças. Agora, usar de uma coletiva, em que o citado desafeto não se encontra e mandar recado pelo filho dele, que está ali a trabalho, só pode ser algum item da cartilha dunguista. Até Felipão, pasmem, acha que Dunga exagera em seus ataques à imprensa. Se me permitem, leitores, e o Kaká e o Juca também, estudei Filosofia e Teologia, sou cristão, mas sem fanatismos. Antes de se decidir por alguma religião, o indivíduo tem de procurar ser pessoa íntegra, ética antes de mais nada. Conheço muito colega na profissão, na qual sobrevivo desde 1972 (façam as contas), que não é religioso, mas tem caráter, é íntegro, não se contenta em conhecer a história recente deste país, mas procura fazer parte dela. Juca é uma dessas pessoas, que o digam a sua militância sindical, a sua participação em episódios decisivos pela redemocratização do País. Kaká, menos alarido, por favor, e mais futebol, se você estiver em reais condições de jogá-lo, como sempre fez - pena que não no Corinthians.
A conquista é vermelha
Líderes até ali, os eslovenos não poderiam acomodar-se nos 4 pontos conquistados porque até mesmo a última colocada, a Argélia, com 1 ponto apenas, poderia surpreender em caso de vitória sobre os Estados Unidos. Jogo duro, arbitragem séria do alemão Wolfgang Stark. Quem sabe o vermelho das Cruzadas deixasse os britânicos mais aguerridos. No início, Johnson pegou Kirm na lateral do campo, para impedir a saída rápida de bola do adversário. O lateral-direito inglês parecia não estar num de seus melhores dias porque já se atrapalhara todo, próximo de sua área, ao tentar domínio da jabulani, que lhe escapou por baixo das pernas. Dois minutos depois, Rooney impediu nova arrancada eslovena, derrubando o adversário por trás, e foi advertido pelo árbitro. Aguerrida, a Inglaterra estava; modificada também. Capello colocou Upson, Milner e Foi uma sequência de 3 jogadas contra a área eslovena para uma de Birsa contra o gol de James, em cobrança de falta. A encarnação do espírito de luta era Rooney, que acreditava em todas. Aos 21, dominou a bola, quase perdida à esquerda, no encontro da linha lateral com a de fundo, e armou a jogada de ataque. Aos 23, Defoe, mesmo com marcação de zagueiro, abriu o placar, à moda dos centroavantes, depois de receber cruzamento da direita, feito por Milner depois de boa troca de passes. O próprio Defoe, 3 minutos depois, pegou mal o rebote, em jogada que foi replay da que resultou no gol, até ali salvador. Aos 29, a jogada de ataque mais benfeita da partida: Defoe, de novo, acerta o pé, o goleiro rebate, Gerrard ajeita de cabeça para Rooney, que lhe devolve a bola para o arremate, colocado na direção do canto esquerdo de Handanovic; quase surge outro frango na Copa. O bom lateral-direito esloveno, Brecko, ainda tirou uma bola de peito, quase no chão, vinda em chute cruzado, próxima do canto direito da sua meta, e a Eslovênia teve outras duas cobranças de falta a seu favor. Aos 43, Defoe sofreu falta, não marcada, ficou meio grogue e saiu dando sinais de que não voltaria. Wolfgang acabou o primeiro tempo aos 45, em ponto.
Os cruzados vermelhos jogavam melhor. Aos 4 minutos, Defoe marcou o segundo, mas havia impedimento de Rooney. Em rapidíssimo contra-ataque da Eslovênia, em chute de longe, James teve de se virar porque havia um atacante na espera da sobra de bola, que não aconteceu. Lampard, Gerrard e Rooney, aos 7, em tabela sensacional, pararam na marcação cerrada eslovena; aos 9, Koren cobrou falta, venenosa, ao tentar que a bola quicasse perto do goleiro, que conseguiu abafá-la; aos 11, Terry cabeceou certinho, no canto direito, para defesaça de Handanovic, à la Banks na Copa de 70 - que ironia! Rooney parece que reencontrou o futebol que ele sabe jogar e esteve perto de fazer o gol dele também, como aos 12, quando desviou do goleiro e mandou a jabulani de leve na trave; um minuto depois, linda jogada do 10 inglês, na área inimiga, com direito a elástico no seu marcador. A Eslovênia, com a entrada de Dedic, arquitetou a chamada blitz pra cima da área inglesa, aos 22, com jogada muito bem tramada, com corte seco no zagueiro, chute pro gol, rebatido por James; o arremate veio forte, de fora da área, e Terry mergulhou de cabeça rente ao chão; se a bola viesse ali, bateria nele, mas foi pra fora. Os 15 minutos finais foram dramáticos pros dois lados: o número de faltas aumentou, par a par, os cartões amarelos se sucediam e, num escanteio, aos 39, tod O árbitro alemão acrescentou 3 minutos, para aumentar ainda mais a adrenalina. Sempre que tomava a bola em sua defesa, a Inglaterra ia cautelosa até o meio de campo, fazia as jogadas rente à linha lateral e, assim, segurou o placar que lhe era favorável. Se o drama inglês não chegou a uma tragédia shakespeariana, os eslovenos tiveram um castigo que não mereceram, não por este jogo. Até o apito final, em Porto Elizabeth, eles eram o segundo colocado, com os britânicos em primeiro. Mas aí, no outro jogo, os Estados Unidos fizeram o gol nos acréscimos, tomando a vaga da Eslovênia. A Inglaterra custou a fazer valer o que disse o técnico Fabio Capello ainda antes do início da competição. "Minha meta é a final" é o título da entrevista que ele concedeu ao Guia da Copa 2010 Placar. Na opinião de Capello, "nosso time é muito bom. Se todos os jogadores estiverem bem fisicamente na Copa do Mundo, podemos bater qualquer time". Terminada a primeira fase dos grupos, o ítalo-britânico chegou a estar na corda bamba ante rumores de desentendimento entre ele e Terry (desmentidos) e, sobretudo, por não ter ainda conseguido estabelecer um sistema de jogo que faça o Engl Os súditos da rainha sentiram-se, neste jogo, mais em casa do que nunca, por ir a campo no estádio que fica na cidade que leva o nome da soberana. Talvez por isso, também, jogaram futebol, vestidos de vermelho. Deus salve a rainha, os jogadores, a comissão técnica e, mais do que ninguém, o Capello! A Inglaterra conseguiu a classificação às oitavas com:
Águia-calva ferra eslovenos
A Argélia foi logo ao ataque e criou duas chances de gol, numa delas a bola explodindo no travessão. Os Estados Unidos responderam com Dempsey, que até marcou, mas o belga Frank De Bleeckere sinalizou impedimento, no mínimo duvidoso, se não mal marcado. Mais um ato terrorista - mas de um belga? Bradley, o filho do técnico, também levou perigo à meta de M´Bolhi, mas o arremate saiu em cima do goleiro, que rebateu e torceu pro chute final ir por cima; Alá é misericordioso! Ao menos dessa vez. Pelas oportunidades criadas, a partida foi equilibrada no primeiro tempo e permaneceu assim por quase toda a etapa final. Aliás, em todo o segundo, sim. Nos acréscimos é o que o bicho pegou, ou seja, a águia bicou.
Nos acréscimos, quando muita gente se acomodaria, Donovan, em contra-ataque, pegou o rebote e fez 1 a 0. Teve tempo para o argelino Yaha ser expulso, e parecia não entender o motivo. Foi o dia de a águia-de-cabeça-branca mostrar a sua força, suficiente para caçar a raposa do deserto. Também chamada de águia-calva (nenhuma referência ao técnico Bob Bradley), símbolo dos Estados Unidos, conhecido em todo o mundo, a sua bicada foi letal nem tanto em cima dos argelinos, mas sobre os eslovenos. Com a vitória por 1 a 0, nesta partida, a Eslovênia, até ali líder do Grupo, foi desclassificada. A seleção de Bob Bradley ainda por cima assumiu o primeiro lugar, classificando-se a equipe de Capello em segundo. Confira como ficou a posição de cada time na chave:
Juventude resolve
O equilíbrio do Grupo é ímpar porque até mesmo a Austrália, com apenas 1 ponto em dois jogos, iria enfrentar a Sérvia com chances de subir na tabela, dependendo do que acontecesse com os demais times. Ao contrário da confiança-quase-certeza de Capello, da Inglaterra, o técnico alemão Joachim Löw era reticente: "Argentina, Brasil e Espanha ... Temos um time jovem. Podemos ir longe, mas não estamos entre os favoritos, como esses três". Se a Alemanha empatasse, Gana somaria 5 pontos; mas aí se Sérvia vencesse a Austrália - o que não seria de espantar -, iria para a liderança com 6 pontos. Bola rolando, no Soccer City, em Joanesburgo, com arbitragem do brasileiro Simon, o O meio de campo ganense fazia marcação especial em Schweinsteiger, para evitar que o alemão, experiente, armasse as jogadas de ataque. Os jovens Özil e Müller ficavam mais soltos, um do meio pra direita; outro do meio pra esquerda. E Cacau se movimentava tanto, a ponto de ajudar na defesa. Podolski, nos primeiros 10 minutos, levou perigo ao goleiro Kingson, e numa delas Jonathan Mensah, ao tentar tirar a bola, quase marcou contra, se não fosse o goleiro desviar para escanteio. Cacau fechava no meio da área. Gana chegou a ameaçar aos 13, em boa jogada de Asamoah, pela esquerda, confundindo a defesa alemã, que bateu cabeça e pernas. A bola sobrou para Gyan, que cruzou. A zaga cortou. Cacau, em boa jogada, deixou Özil à vontade para levar a bola, passar pelo seu marcador e, cara a cara com Kingson, chutar em cima do goleiro. Como pode perder um gol desses? Para não ficar atrás, Gyan fez uma das suas, esnobando a marcação com drible desconcertante. Conseguiu escanteio e, na cobrança, Lahm tirou de peito a bola que entraria rente ao segundo pau. Cacau e Schweinsteiger ainda obrigaram o goleiro ganense a trabalhar: o brasileiro, ao concluir, mesmo diante de dois adversários, para Kingson cair e segurar firme; o 10 alemão, em cobrança de falta, já aos 40, chutou forte em direção ao canto esquerdo, para outra importante defesa do goleiro. As chances de gol (5 a 3), as faltas (apenas 3 de cada lado), os escanteios e mesmo os cartões amarelos dão a exata noção do equilíbrio no primeiro tempo, que terminou 0 a 0. Na combinação desse resultado com o da outra partida, Gana e Alemanha se classificavam. No segundo tempo, Gana voltou com mais variação no ataque, tanto que Gyan passou a atuar pela esquerda. Mas a blitzkrieger poderia acontecer a qualquer minuto. Numa das subidas da Alemanha ao ataque, Pantsil espanou o taco, a bola ficou perigosamente na área porque o goleiro saiu errado, e o que valeu foi o espaço estar congestionado, dificultando a finalização a gol. Gana se fechava em sua área com até 8, como é comum se ver nesta Copa. Mas quando atacava, punha chucrutes pra dançar, como em jogada de Gyan. Lahm deu o troco, ao recuperar a bola e sair pro jogo com categoria. O equilíbrio do primeiro tempo persistia, até que Özil, aos 14, recebeu passe na medida de Müller, da direita, e acertou o pé, em finalização precisa, à meia altura, no canto direito de Kingson. Com o gol a Alemanha passou a liderar o Grupo. Em resposta, Gana conseguiu dois escanteios no mesmo minuto, aos 16, e começou a fazer substituições para dar consistência na marcação, com a entrada de Muntari. A Alemanha colocou Trochowski, que, zero bala, fazia boas triangulações com Özil e Cacau. Numa das arrancadas do brasileiro, já na área ganense, teve até drible da vaca, com a bola rolada para Podolski encher o pé, de fora da área, e a bola explodir no queixo de Sarpei; quase nocaute. O jogo ficou complicado para Gana com o que se passava no duelo de australianos e sérvios. No banco de reservas ganense, a confabulação era visível, com jogadores fazendo contas nos dedos, certamente sabedores de que a Austrália surpreendia, ao marcar duas vezes. Nada que tirasse a concentração de quem estava em campo. O resultado deixou a Alemanha em primeiro e Gana em segundo. Os responsáveis pela classificação são os seguintes times:
Cangurus surpreendem
O jogo terminou em 2 a 1 para a Austrália, resultado que desclassificou as duas seleções e tirou a esperança de os europeus conseguirem somar um pontinho com gols que os levassem ao segundo lugar. Imagina o sofrimento dos ganenses. Os australianos, como fizeram 2 a 0, poderiam – se marcassem mais 2 gols – ficar com a vaga para si. A chave estava bem-embolada. Cahill fez o primeiro gol dos cangurus, ao cabecear firme no canto direito de Stojkovic. O segundo foi um golaço, da intermediária, com a bola indo parar também no canto direito do goleiro sérvio. Brett Holman recebeu, livre, de Culilna e não perdoou. Pantelic descontou para a Sérvia, aos 38, em chute certeiro de direita. Os sérvios reclamaram muito da arbitragem por impedimentos, no mínimo, duvidosos, assinalados por Larrionda e pela não marcação de pênalti. O que poderia ter feito a diferença. Os milhões que valem
Baú de surpresas
Frases
Na estrada com Valquíria
Por hoje, é isso. Lembro que o texto desta coluna sai também no sitewww.cliqueabc.com.br fotos: getty images charge; aroeira |
24 de junho de 2010
A SELEÇÃO CHEGOU A PONTO CRÍTICO
23 de junho de 2010
Tabela da Copa do Mundo 2010
| Tabela da Copa do Mundo 2010 em arquivo de Excel. Ao completar os resultados da primeira fase, a tabela informa o posicionamento das equipes dentro dos grupos e se auto completa informando as próximas partidas. Além de mostrar quem enfrenta quem na Copa, a tabela conta com os horários dos jogos. Esta tabela também ajuda para quem quer fazer um bolão de apostas. Simula os resultados dos jogos, já prevendo as chaves a partir das oitavas de final. |
A SELEÇÃO CHEGOU A SE PRESERVAR
| Reticentes leitores, se vocês são daqueles que ficam com os pés atrás sobre as reais chances de os soldados de Dunga baterem os patrícios encarnados (nada com encarnação, reencarnação - esta, muito menos, porque não dá para escalar Garrincha, por exemplo; apenas referência à cor oficial das camisolas d´eles). Então, se vocês estão entre esses, saibam que é para se ter dúvidas mesmo, mas nunca perder a esperança. Espero, por exemplo, que nesses dias de intervalo entre uma partida e outra - em que a seleção canarinho, presa em gaiola de ouro, é verdade, se preserva -, nem por isso os comandados de Dunga descuidem do preparo físico-tático-operacional-psicossocial-político, com especial atenção a Elano. De tão macho, tchê, nem de maca saiu a caminho Taí, que o saci-pererê supere os mulas-sem-gols-de-cabeça na sexta-feira (25). Aí veremos, raios, quem tem mais vidros a vendeire. Sem essa de deitar em berço esplêndido (os da delegação, certamente o são); tomemos por empréstimo o bordão: "Às armas!!! Às armas!!!". Afinal, fez-se o Acordo Ortográfico para uniformizar as línguas, ora, pois!
Briga de hermanos
Quem se deu melhor foram os uruguaios, ao vencer o jogo por 1 a 0. No primeiro tempo, o Uruguai criou mais chances de gol, e Suárez teve o trabalho de apenas escorar, de cabeça, cruzamento preciso de Forlán, da direita, aos 42. O centroavante já havia chutado, cruzado, na primeira investida uruguaia, com a bola indo a tiro de meta. E aos 17, Victorino cabeceou por cima bola vinda de escanteio cobrado com mestria por Forlán. Guardado, quem diria, um volante, foi quem concluiu para a meta de Muslera, e a bola O México teve os seus momentos de pressão e, aos 19, quase marca com Rodríguez que, de peixinho, cabeceou com perigo. Os uruguaios até poderiam ter ampliado o placar, não fosse o goleiro mexicano defender a jabulani que iria entrar no cantinho direito de sua meta. Mesmo nos acréscimos, a pressão uruguaia foi mais sentida. México e Uruguai passaram às oitavas de final com estes times:
Confira a classificação:
Forças X fraquezas Acompanhar 3 jogos no mesmo dia, como aconteceu As rodadas que definem os classificados às oitavas, no aspecto número de partidas, ficam ainda mais complicadas: são duas disputas ao mesmo tempo, no mesmo grupo; pelo menos ficamos livres do jogo do sono, aquele que aqui começava às 8h30. Leitoras e leitores, por isso, devem ser ainda mais compreensivos com o colunista em suas (minhas) pisadas na bola.
Oscar Ruiz, colombiano, deu aquela mãozinha para o time da casa, ao expulsar Gorcouff, por falta em Sibaya na área sul-africana, por entender que houve cotovelada, suponho. Mas não foi por isso que o time de Parreira foi para os vestiários com 2 a 0 O primeiro gol saiu em escanteio cobrado por Tshabalala, autor do primeiro gol da Copa; a bola passou por toda a zaga francesa, Lloris caçou borboleta, e Khumalo não desperdiçou a chance de fazer o dele, de cabeça. Ribéry, se tivesse bicho na partida, deveria receber por todos os outros, porque, além de se esforçar no ataque, foi o melhor da defesa, ao roubar bolas dos atacantes sul-africanos. Aos 37, numa pixotada da zaga francesa, Masilela tomou a bola, levou pra linha de fundo e colocou para Mphela entrar com a jabulani, mesmo pressionado por um zagueiro, pra dentro do gol: 2 a 0 (llora, lloris!). No segundo tempo, a África do Sul dominou o meio de campo, se segurou o quanto pode na defesa porque a França precisava ao menos de uma despedida honrosa, no campo. Já nos bastidores... Os sul-africanos tiveram oportunidades para ampliar em 2 ou mais gols o resultado, que ainda deixariam os bafana bafana com chances de classificação pras oitavas. As mais agudas, desperdiçadas por Mphela. Os franceses pressionaram, sem afobação, para chegar ao gol de Josephs. O máximo que conseguiram foi complicar a vida dos adversários. Em boa troca de passes, Sagna-Ribéry, saiu o cruzamento para Malouda marcar, sem goleiro, aos 25.
Como é que alguém, em sã consciência, poderia querer que a África do Sul se desse bem na Copa, se nem todos falam a mesma língua por lá? Há exatos 11 idiomas no país-sede: inglês, africâner, ndebele, sesotho do norte, sesotho do sul, suázi, xitsonga, setswana, venda, xhósa e zulu. Um pra cada posição no time titular. Coitado do Parreira nas preleções! Pelo menos há algo que iguala esses sul-africanos à França, seleção na qual ninguém parece se entender. Já pensou um zulu de ponta-esquerda? E o ndebele na zaga (se puser um "p", seguido de "m", fica que nem um partido daqui, que adora fazer alianças); o volante suázi, a meu ver, seria o mais didático (lembra o nome da cartilha em que aprendi a ler, no primeiro ano de grupo escolar, Caminho Suave). No PIB per capita, por exemplo, a França goleia: US$ 31,9 mil, em uma população de 65,4 milhões de franceses, comparados com US$ 10,6 mil para 47,9 milhões de sul-africanos. Parreira nunca foi tão analítico como quando disse ao Guia da Copa 2010, da Placar: "Não vou colocar na minha cabeça, nem dos jogadores, que podemos ser o primeiro anfitrião a não passar de fase. Um dia vai acontecer". Pena que esse dia foi hoje (22/06). Entre o brilho de 1998 (em que foi campeã do mundo em jogo contra o Brasil) e a frustração de 2002 (quando o favoritismo pela conquista da Copa anterior findou na primeira fase), a França de Domenech ficou com o segundo. O técnico não deve ter consultado com apuro os astros; dizem que Domenech procura saber o signo de cada atleta antes de formar o elenco. Mãe Dinah faria melhor...
Grécia e Argentina foram a campo, no Peter Mokaba, em Polokwane, reeditar a versão contemporânea da guerra de Troia, em situações bem diversas de uno equipo para otro. Dieguito de Troia chamou soldados da reserva, confiante em que sua carreira brilhante, dentro e fuera de la cancha, inspirasse seus pibes a fecharem a participação no Grupo B 100%. Conseguiu um potrinho de Troia em cima dos gregos: 2 a 0, gols de Demichelis e Palermo, no segundo tempo. Já os gregos, ressabiados com troianos de longa data, teriam de ficar espertos agora com os hermanos. Botou pra jogar o que tem de melhor no seu futebol, na visão do comandante-em-chefe Otto Rehhagel. Papadopoulos (que o locutor não acertou pronunciar uma vez sequer no primeiro tempo; mudei de canal) e Papastadopoulos (este leva Sokratis na camisa, pra facilitar) poderiam ser as armas secretas que ajudariam a A Grécia, fechada em sua área com até 8 guerreiros, às vezes arriscava Escanteios, a Argentina teve 5, só no primeiro tempo; faltas próximas da área, umas 3; a mais perigosa, Messi fez que ia, mas deixou pra Verón chutar fraco na barreira. Ainda no primeiro tempo. O segundo tempo não foi muito diferente do primeiro, a não ser pela vontade do comandante grego de fazer logo as substituições, para ver se a equipe ficava mais ofensiva. Mesmo porque se defesa argentina titular já não é lá essas coisas, imagina a mista. O frio que faz em São Bernardo do Campo (SP), de onde teclo essas mal traçadas linhas, mais as 40 gotas de dipirona que tomei pra segurar uma dor no corte do dedo, e aquele futebol de toque pra cá, toque pra lá; mais a Grécia sem poder de reação quase me levaram aos braços de Morfeu. Foi quando saíram os gols, ai os locutores gritam mais alto e me acordaram. No jogo entre Nigéria e Coréia do Sul, como neste de gregos e hermanos, o futebol moderno e globalizado deu as caras do mesmo jeito: um gol de zagueiro e outro de atacante. Messi ainda não marcou. Que os mexicanos se cuidem. Os hermanos que levaram a Argentina para as oitavas foram:
Confira a classificação:
Super Águias boas de bico
Já as Super Águias, muito boas de bico, se juntam a Camarões e África do Sul, deixando o continente africano a ver navios (ainda bem que os negreiros sumiram faz tempo). Mas foi a Nigéria que saiu na frente com o gol de Aiyegbeni, que classificaria a Grécia em segundo, se mantivesse o empate com os hermanos. Aí a Coréia do Sul foi e empatou com o zagueiro Lee Jung-Soo. Futebol moderno e globalizado esse dos pernas-curtas, que lutaram com todos os golpes legítimos para se classificar. Segundo tempo, os sul-coreanos passaram à frente e estavam mais classificados do que nunca, com o gol de Park Chu-Young. O 10 deles jogou muito e saiu extenuado, já nos acréscimos, mas feliz. A Nigéria ainda empatou de novo (com o gol de Kalu Uche), criou mais situações de marcar, uma delas grotescamente desperdiçada. Acredito que o segredo dos sul-coreanos foi confundir os nigerianos, ao colocar três Kim no segundo tempo. Já aviso que o truque não surtirá efeito contra os lusos, caso se cruze, porque, de Jô A - Kim, eles entendem. Com a segunda vaga do Grupo B para a Coréia do Sul, vamos continuar com nossos exercícios de fonoaudiologia ao menos durante as oitavas. Pelo menos dos gregos já estamos livres, Katsouranis!
A Copa dos passes
Baixaria sulina Dunga soltou cobras e lagartos pra cima do jornalista Alex Escobar, conhecido na telinha por seus pitacos. "Besta", "burro" e "cagão" teriam sido as palavras endereçadas pelo furibundo gaúcho ao repórter. Maradona já foi punido por ter-se dirigido à imprensa argentina com sonoros: "Que chupem todos, e continuem chupando", logo depois de conseguir a classificação para a Copa, ao vencer o Uruguai. Num ponto El Dieguito e Dunguita teriam de se parecer (às vezes, este me lembra a Mafalda, de Quino, ou seria o irmão dela - coitada!). Deve ser coisa de baixaria sulina (vizinhos de fronteira). Ou melhor, suína.
Cadê o molinete?
Futebol e solidariedade
Frases da Copa
Na estrada com Valquíria
Por hoje, é isso. Lembro que o texto desta coluna sai também no sitewww.cliqueabc.com.br fotos: afp, reuters charge; fernandes, fred, dálcio, samuca, mariano |
22 de junho de 2010
A SELEÇÃO CHEGOU A BAIXAR A TROMBA
| Queridos leitores, hoje vou dar descanso de novo aos soldados de Dunga porque da outra vez deu certo. Lembram-se? Depois da vitória magra contra a Coréia do Norte, segui os conselhos de Daniel Alves: “até o próximo compromisso, descansar bastante”. E a seleção canarinho vai precisar estar muito bem, contra Portugal, como vocês lerão adiante. Ainda mais que, no domingo (20), as canelas brazucas saíram muito esfoladas. A Costa do Marfim não esperava muito desta Copa, eu esperava mais da Costa do Marfim – mais futebol, lógico. Mais criação de chances de gol. Ora, dirão, mas a defesa brasileira esteve perfeita; digo: quase... Dr Luís Fabiano desencantou, e seu segundo gol só não foi aço aço aço por ter o atacante usado a mão para ajeitar a jabulani. Esta, agora, para ele, deixou de ser sobrenatural. A vitória incontestável do Brasil baixou a tromba de marfinenses que acharam que poderiam ganhar da seleção de Dunga; e baixou a tromba do treinador brazuca também. Dunga está muito mais pra Feliz agora; só ficou Zangado com as pisoteadas dos elefantes em canarinhos.
Portugal bestial!!! |
A fantástica máquina voadora russa…
Na Ucrânia, Criméia, existe uma espécies diferente de frota aérea. São aeronaves anfíbias BE-12, aviões de carga militar AN-26, de busca e resgate, helicópteros KA-27PS, bem como os anti-submarino KA-27PL. Embora muitos deles tenham mais 40 anos de idade, ainda são usados para realizar qualquer tarefa de combate e resgate no território do Mar Negro e na Criméia.O BE-12, é um avião anfíbio que foi construída em 1971. Destinado inicialmente na detecção de submarinos e executar missões de resgate na água.
O avião é pilotado por quatro tripulantes: dois pilotos, um navegador e um rádio navegador que se senta na proa.
Todos os assentos são equipados com pára-quedas e catapultas, A sensação é como estar dentro de um submarino e não de um avião.
BE-12 é construído não só para detectar submarinos, e hoje é usado somente para salvar as pessoas. Há um lugar especial para atendimento aos sobreviventes.
via: english russia
