Johnny Rawls crava o pé no Mississippi e o groove não perdoa
Em 2022 Johnny Rawls solta Going Back to Mississippi, o 21º disco da carreira, um pacote de dez originais de southern soul e soul-blues gravado com a urgência de quem nunca saiu de estrada. A base é o trio alemão de origem turca Özdemirs — Erkan no baixo, Kenan na guitarra e Levent na bateria —, com o italiano Alberto Marsico no Hammond e nas teclas, coproduzindo junto com Rawls. Completam o quadro uma seção de metais (trompete, sax e trombone) e participações pontuais de Ramona Collins e Elvin Bishop.
As resenhas apontam o abrir de “Midnight Train”, soul-blues cru sobre despedida sem volta, com guitarra pontuda; “Reap What You Sew”, um dos cortes mais fortes, relação e groove limpo; e a faixa-título, de groove propulsivo em que Rawls canta o estado natal com paixão, clavinet e metais empurrando. O som se apoia em metais enxutos, guitarra limpa e espirituosa, órgão e, em “Straight from the Bottle”, slide e funk de juke joint com Elvin Bishop. O encerramento “Love Machine” vira boogie-woogie com Marsico solto no piano. Uma curiosidade confirmada da formação: depois da turnê europeia de março de 2019 com os Özdemirs e Marsico, o grupo decidiu entrar em estúdio juntos.
A gravação foi dividida entre Haymen Studios em Copenhague, Dinamarca, e Bigfoot Studios em Waterville, Ohio, com sessões conduzidas de forma despojada por Rawls e Marsico para preservar a imediatidade. É o quarto álbum de Rawls no selo Third Street Cigar Records, o mesmo que o levou de volta ao circuito após anos como diretor musical de O.V. Wright.
Se gostou, veja também I Miss Otis Clay e Where Have All the Soul Men Gone, do mesmo período com o selo. Ouçam agora no Spotify, comentem o que acharam e passem no blog https://quemtempoe.blogspot.com/ para mais.

