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8 de setembro de 2026

Curtis Mayfield – There's No Place Like America Today 1975

 

1. Billy Jack — 6:07
2. When Seasons Change — 5:23
3. So In Love — 5:10
4. Jesus — 6:10
5. Blue Monday People — 4:45
6. Hard Times — 3:42
7. Love To The People — 4:06
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Não há lugar como a América de Curtis Mayfield 

Em maio de 1975, no selo Curtom, Curtis Mayfield lançou o sétimo disco solo, There's No Place Like America Today: soul e funk de Chicago, sete faixas todas suas, gravadas no Curtom Studios. 

O título é ironia. A capa recolore a foto de Margaret Bourke-White de 1937, At the Time of the Louisville Flood — fila negra sob o outdoor da família branca sorridente e o slogan original “There's No Way Like the American Way”. 

Mayfield produz, canta, toca guitarra e teclado. Rich Tufo arranja e senta no teclado; Phil Upchurch e Gary Thompson nas guitarras; Lucky Scott no baixo; Quinton Joseph na bateria; Henry Gibson em congas e bongôs; Harold Dessent nas madeiras. Bruce Eder, no AllMusic, destaca a abertura “Billy Jack”, canção de violência armada com naipe de metais de Tufo; “When Seasons Change”, urbanismo com gospel e soul; e “So in Love”, o single que foi ao 67º lugar da Billboard Hot 100 e ao 9º do R&B. 

No meio do disco entram “Jesus” e “Blue Monday People”; “Hard Times” aperta o groove antes do fecho “Love to the People”. Em junho de 1975, Mayfield disse à Billboard que o álbum falava da depressão em que o país estava. 

Anos depois, à NME, colocou o disco entre os seus favoritos. Chegou ao 120º lugar da Billboard 200 e ao 13º das Soul LPs; está em 1001 Albums You Must Hear Before You Die e, em 2013, no 373º lugar da lista da NME. 

7 de setembro de 2026

Oozie Blues - Blues School 2008

 

1. Blues School (4:17)
2. Girl You Must Be Crazy (3:18)
3. Lost Generation (4:40)
4. Alligators (4:40)
5. Why Don't You Let Me Be (5:23)
6. Stormin' Norman (2:54)
7. Too Hard To Please (4:16)
8. I'm Tired Of Cryin' (3:58)
9. Time Tells (3:57)
10. Fat Tuesday (3:12)
11. Hide And Seek (3:31)
12. My Best Friend (4:54)
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Blues School: a aula particular da Oozie Blues Band 

Em 2008, a Oozie Blues Band, do sul da Califórnia, gravou Blues School: doze originais de blues elétrico e American Roots — com saltos de country blues, jump e R&B old school — escritos e cantados por Norman Pingrey, Terry DeRouen e Stephen Guillory

Pingrey, baixista e líder, veio da cena da Bay Area (1988–1995), onde tocou com T.W. Henderson e Deacon Jones e abriu para John Lee Hooker, Elvin Bishop e Joe Louis Walker. 

No disco, a base é voz, duas guitarras, baixo e bateria — Delacy White na caixa — com Guillory, que também ajudou na produção, entrando de gaita, dobro, órgão e conga só quando a faixa pedia. 

DeRouen e Guillory, quatro anos juntos na banda na época da gravação, dividem os solos: o duo aparece em “Lost Generation”, o órgão em “Alligators”, e a gaita em “Why Don't You Let Me Be”, “Time Tells”, “Hide And Seek” e “My Best Friend”. 
A faixa-título abre o programa; “My Best Friend”, de Pingrey, fecha o disco como dedicatória ao fundador Match “Hambone” Hammond.

O CD circulou como registro independente, de repertório 100% autoral, sem a cobertura de AllMusic ou Discogs que costuma acompanhar os nomes grandes do gênero. Anos depois a formação já incluía Ray Brooks, sax e o mesmo Guillory nos palcos do Real Blues Festival of Orange County e do Festival of Lights, em Riverside.

Prince – Timeless (2026)

 

1. I Am You (04:43)
2. Tick Tick Bang (03:12)
3. Heaven (04:28)
4. I Wonder (04:10)
5. With This Tear (03:52)
6. Stone (03:07)
7. Calabama (03:30)
8. The Guilty Ones (04:14)
9. Bestest Friend (04:37)
10. How Come U Don’t Call Me Anymore (Live) (05:53)
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As dez faixas que atravessam 1977 a 2016

Timeless é a coletânea póstuma de Prince que o Estate e a Legacy Recordings soltaram em 28 de agosto de 2026: pop, funk e R&B tirados do Vault, dez faixas em ordem de gravação.

Prince canta, toca e produz a maior parte sozinho. “I Am You” abre em 1977, ainda Minneapolis. “Tick Tick Bang”, de 1981, é a versão que depois mudou de roupa no Graffiti Bridge. “Heaven” vem das sessões de 1985 no Sunset Sound, com Susannah Melvoin no backing. “With This Tear”, gravada em novembro de 1991 no Paisley Park, é a versão dele da balada que ele deu para Céline Dion. “Stone”, de 1995, tem letra de Sandra St. Victor, Tom Hammer e Jules Van Even. “The Guilty Ones”, rock de 26 de outubro de 2007, Ian Boxill no Paisley Park. “Bestest Friend” é de 2012, Chris James no mesmo estúdio. 

Fecha o disco o ao vivo de “How Come U Don’t Call Me Anymore”, lado B de “1999”, etiquetado como 2016. Mix e master ficaram com Chris James; a compilação, com L. Londell McMillan, Charles F. Spicer Jr. e o próprio James. 

Saiu em CD, vinil preto e vinil marmorizado roxo.Em “Calabama”, de 2003, a voz de Prince pede horns duas vezes: o Estate mandou Greg Boyer, Adrian Crutchfield e Lynn Grissett cobrirem o sintetizador; no resto do disco, diz o comunicado, não houve overdub nem IA

O pacote foi anunciado em 4 de junho de 2026, no Prince Celebration em Paisley Park, no ano em que se completaram dez anos da morte dele.


2 de setembro de 2026

Sonny Robertson - From The Banks Of The Mississippi 2008

 

1. No,body's Home (04:21)
2. We Like Them All (03:24)
3. Lonely Town (04:51)
4. Kiss the Monkey (04:13)
5. Different Shades of Blue (03:08)
6. Text Me Before You Sex Me (03:52)
7. Stay Gone (03:24)
8. Blues 2000 (03:22)
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O blues que atravessou o Mississippi e parou em Ohio 

Em 2008, o veterano Howard “Sonny” Robertson colocou no mundo From the Banks of the Mississippi, um disco independente de blues elétrico com cheiro de Chicago e St. Louis misturado a R&B de escola antiga. Oito faixas curtas, originais, gravadas depois de seis décadas de estrada.

Nascido em 28 de abril de 1940 em St. Louis, Robertson começou no gospel com Willie Mae Ford Smith, passou pelo quarteto Welcome Travelers e chegou a gravar com os Tabs na Vee Jay e na Scepter/Wand. Depois voltou para casa e pegou o baixo rítmico na banda de Albert King, tocando no Fillmore East e West. 

Na mesma época cruzou palco com Matt Murphy, Jimi Hendrix, B.B. King, Koko Taylor, Buddy Guy e Lonnie Brooks. Em Akron, Ohio, fundou a Howard Street Blues Band e tocou por 35 anos. 

O disco de 2008 traz o tom afiado da guitarra dele em faixas como “Kiss the Monkey”, um groove de dois compassos cheio de malícia, e “Text Me Before You Sex Me”, humor direto e sem frescura. “Nobody’s Home”, “Lonely Town” e “Blues 2000” completam o retrato de um homem que não adoçava a vida: gritava, gemia e cantava o inferno com a mesma naturalidade com que ria.

Ele lançou o CD pelo CD Baby no mesmo ano em que apareceu no programa de rádio internet de Judy Joy Jones para apresentar o trabalho. Décadas antes, o mesmo músico que hoje gravava um blues de celular já tinha cantado no Apollo Theater ao lado de Isley Brothers e Flip Wilson.

29 de agosto de 2026

Danielle Nicole – Fireflies (2026)

 

01 – Radical Love
02 – Take Me Back (feat. Luther Dickinson)
03 – Memories
04 – Soulside
05 – Gaslight
06 – Piper
07 – The Same Love That Made Me Laugh
08 – Chameleon
09 – Tug of War
10 – Dreams
11 – Fireflies
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O disco que o luto tentou calar

Fireflies, quarto álbum solo de Danielle Nicole, chega em 28 de agosto de 2026 pela Forty Below Records como um blues que se abre de propósito para o soul, o R&B e as roots americanas. 

É o trabalho mais íntimo da baixista e vocalista de Kansas City, nascido depois da perda do irmão Kris.

No estúdio da terra natal ela segura o baixo e a voz no centro de uma formação enxuta: o marido Brandon Miller nas guitarras e nos vocais, o tecladista Jim Pugh, o produtor Tony Braunagel na bateria e na percussão, e as backing vocals de Maxayne Lewis e Melodye Perry. 

As faixas que já acendem o disco são “Take Me Back”, com Luther Dickinson, dos North Mississippi Allstars, puxando a saudade do Missouri; “Tug of War”, single que ela escreveu para quem se recusa a aceitar um relacionamento de mão única; e “Gaslight”, outro grito de autoestima, enquanto “Soulside” transforma coração partido em persistência e “Radical Love” abre o álbum pedindo o amor radical como única arma. 

O som que define Fireflies é baixo grosso, órgão, groove de soul e guitarra crua, capturado ao vivo em fita analógica — um processo que exige a música inteira no corpo, sem colagem digital — e que só andou quando Danielle empurrou os bloqueios deixados pela morte de Kris, irmão, amigo e parceiro de uma vida no Trampled Under Foot.

Quando o irmão morreu, ela continuava escrevendo, mas o luto a impedia de terminar várias canções, até forçar a passagem desses bloqueios ao lado de Miller e Pugh. Ainda adolescente, num festival de blues de Kansas City, foi ver Etta James ao vivo — “ela era destemida” — e só então percebeu que também queria cantar.

18 de agosto de 2026

Big Al Downing - Back To My Roots 1994

 

 1. Long Trucking Night - 3:19
 2. Sneaky Freaky People - 3:53
 3. Please Help Me Mama - 4:47
 4. Daddy's Words - 4:22
 5. Give A Hand To The Lady - 4:01
 6. I Always Come Back To Loving You - 3:58
 7. Everybody's Got A Dream - 3:53
 8. Don't Even Think About It - 4:18
 9. Bee Bop Cat - 3:39
10. Love's Just A Suitcase In My Hand - 4:44
11. Mama Was A Preacher - 3:04
12. Don't You Want To Go To Love With Me - 3:59
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Big Al Downing acende o fogo das raízes e o rock’n’roll explode de novo

Back To My Roots (1994) é o disco em que Big Al Downing retoma o rock’n’roll e o R&B dos seus primeiros anos, misturando blues, country e o swing que sempre carregou na veia. Big Al (voz e piano) comanda a gravação com sua própria banda, entregando 12 faixas autorais que soam frescas e cheias de energia. 

“Be Bop Cat” explode como um rockabilly clássico cheio de swing e piano dançante, “Long Trucking Night” abre o álbum com groove de estrada e “Sneaky Freaky People” traz um R&B dançante que prova que o homem ainda estava no auge. 
O som é direto, com piano boogie, guitarra afiada e ritmo que puxa para a pista, sem firulas, exatamente o retorno às raízes que o título promete. 

Curiosidade: Al escreveu todas as músicas, algo que reforça o caráter pessoal e autêntico do projeto depois de anos no country. O álbum surgiu no meio de um revival do interesse pelas gravações rockabilly dos anos 50 de Downing, quando ele já era presença fixa nos weekenders de rock’n’roll na Europa. 

Foi lançado enquanto Al ainda frequentava o Grand Ole Opry e mantinha a carreira em alta, unindo o passado e o presente de um dos artistas mais versáteis da música americana.  

9 de agosto de 2026

Beth Scalet - Blues in Paradise 1998

 

1. St. James Infirmary - 3:48
 2. Blue Blue Song - 2:48
 3. Come Back Baby - 3:01
 4. Moped - 2:21
 5. Hollywood Movies - 2:52
 6. I Know You're Right - 3:54
 7. Lighthouse Blues - 3:35
 8. Blues in Paradise - 4:05
 9. Going Over Jordan - 1:33
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Beth Scalet abre o paraíso do blues 

Blues in Paradise (1998) é o disco de blues acústico e elétrico de Beth Scalet, misturando clássicos tradicionais com originais cheios de personalidade, lançado pela J-Bird Records

Beth Scalet comanda tudo com sua voz gritty e soulful, guitarra de finger-picking única e harmônica, em faixas que vão do solo puro ao reforço de backing R&B. 

“St. James Infirmary” é o destaque absoluto: uma leitura acústica solo de tirar o fôlego, cheia de emoção e intensidade. “Moped” traz o humor afiado dela em tom de blues leve e irônico, enquanto a faixa-título “Blues in Paradise” fecha com groove e consciência. 

O som é fresco, ao vivo no estúdio, com instrumentação direta que equilibra tradição e originalidade sem firulas. 

Curiosidade: o álbum reúne material original de blues dela com standards, capturando o estilo que ela desenvolveu sozinha ao longo dos anos no circuito folk. O disco é a reissue remasterizada em CD de um trabalho de 1987, quando Beth já era veterana da cena de Kansas City e Ottawa, Kansas

Anos depois ela ainda venceria prêmio Independent Music Awards com sua versão de “St. James Infirmary”, confirmando a força dessa gravação.  

6 de agosto de 2026

Burton Gaar - Home Of The Blues 2003

 

1. Home Of The Blues (3:49)
2. Blow Wind Blow (4:51)
3. Repoman (3:52)
4. Hole In My Heart (3:49)
5. Hall Of Fame (4:47)
6. Stone Cold Blues (3:59)
7. Rainbow (4:54)
8. My Little Feel Good (3:22)
9. I Wonder (3:44)
10. Mississippi Water (3:48)
11. Wonderland (3:05)
12. Still Singing The Blues (4:55)
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O blues da Louisiana que ainda canta depois de meio século

Home of the Blues, de 2003, é o álbum de Burton Gaar que entrega o blues cajun de Baton Rouge com grooves pesados, voz honestíssima e raízes profundas no R&B sulista. 

Gaar, baixista e cantor que começou aos 16 anos tocando com Slim Harpo no Glass Hat Club, comanda o disco gravado no Colemine Studios de Nashville. 

Faixas como “Home of the Blues”, “Blow Wind Blow” e “Still Singing the Blues” mostram o groove marcante do baixo, a cadência funky e a alma que ele carregava desde os tempos de backing para Rockin’ Sidney e Percy Sledge. 

O disco, lançado pela Sound Venture Records, é a continuação natural de Still Singing the Blues (com os Mudcats) e do sucesso internacional de One Hundred Pounds of Trouble

Gravado em Nashville sob produção do próprio Gaar, o álbum recebeu elogios de Larry Garner (“gosto de todas as músicas”) e Charlie Musselwhite (“cada faixa é lado A”). 

Depois de quase quatro décadas tocando, Gaar só estreou em disco solo em 1996 — e Home of the Blues solidificou sua marca no blues da Louisiana.