10 de agosto de 2026

Mississippi Fred McDowell - This Ain't No Rock n' Roll (Arhoolie Records – CD-441) 1995

 

1. My Baby
2. Levee Camp Blues
3. When The Saints Go Marching In
4. Diamond Ring
5. Dankin’s Farm
6. You Ain’t Treatin’ Me Right
7. Ethel Mae Blues
8. Meet Me Down In Froggy Bottom
9. Mama Said I’m Crazy
10. I Heard Somebody Calling Me
11. Keep Your Lamp Trimmed And Burning
12. I Wonder What Have I Done Wrong
13. I Worked Old Lu And I Worked Old Bess
14. Jim, Steam Killed Lula
15. Worried Now, Won’t Be Worried Long
16. Going Away, Won’t Be Gone Long
17. Going Down That Gravel Bottom
18. Bye, Bye Little Girl
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O Blues Elétrico Que Fred McDowell Jurou Não Ser Rock 'n' Roll

Mississippi Fred McDowell entrega em This Ain't No Rock N' Roll (Arhoolie CD-441) o puro blues do Delta em versão amplificada, aquele “natural blues” que ele mesmo proclamava em cima do palco. 

Aqui o slide bottleneck elétrico corta fundo, sem pedir licença para ninguém.Nas faixas de estúdio, Fred McDowell (voz e guitarra elétrica) divide o som com Mike Russo na segunda guitarra, John Kahn no baixo e Bob Jones na bateria, formando o grupo que já tinha saído no LP Fred McDowell And His Blues Boys. Já nas gravações mais soltas, John Francis segura a bateria e Steve Talbot entra de harmônica em uma faixa. 

Ouça “Worried Now, Won’t Be Worried Long” e “Going Down That Gravel Bottom”: o slide de Fred conversa direto com a voz, improvisando frases longas e cortantes enquanto a banda segura o groove sem atrapalhar. “Keep Your Lamp Trimmed And Burning” traz o espírito de igreja que ele carregava, e “My Baby” (versão de Little Walter) abre o disco com aquela energia crua de quem toca pra valer. 

O disco mistura sessões de estúdio com um clima de festa caseira: guitarra elétrica, baixo, bateria e aquele bottleneck que McDowell já usava há anos nas danças e cultos de Como, Mississippi

Curiosidade: foi o próprio Fred quem pediu Russo na guitarra depois de tocarem juntos em Seattle, e a química entre os dois é imediata, apesar da diferença de idade e de mundo.

As dez faixas extras foram gravadas numa única noite de março de 1968 na sala de estar de Chris Strachwitz, em Berkeley, e só saíram do arquivo em 1995. Esse lançamento de 1995 juntou pela primeira vez o material de estúdio de 1969 com essas fitas caseiras inéditas, mostrando McDowell já elétrico mas ainda fiel ao blues que ele chamava de natural.

Mike Bee & The Acid Fuzz Trio - Mike Bee & The Acid Fuzz Trio 2026

 

 1. White Noise Sound - 2:54
 2. Hey Bong! - 3:52
 3. Lion, Sword and Sun - 3:28
 4. Goodbye Mary Jane - 3:52
 5. Beyond the Wheel - 3:58
 6. Johnny The Living Star - 4:06
 7. Rise Like a Phoenix - 4:14
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Fuzz psicodélico nascido no calor do Camboja e com DNA britânico

Mike Bee & The Acid Fuzz Trio, o álbum de estreia autotitulado de 2026, é pure psychedelic and cosmic blues rock cheio de fuzz dos anos 60/70, swagger do norte da Inglaterra e grooves do deserto. 

Mike Bee, guitarrista, produtor e frontman do projeto, lidera o trio com o mesmo fogo que o levou a tocar e abrir para Ian Brown, The Charlatans, Grandmaster Flash, Black Grape, Fun Lovin’ Criminals, Swervedriver e Gaz Whelan, dos Happy Mondays

Faixas como “White Noise Sound”, “Hey Bong!” e “Lion, Sword and Sun” explodem em riffs sujos, atmosferas cósmicas e energia de garage rock, gravadas em Siem Reap, no Camboja, onde o inglês radicado misturou a vibe britânica clássica com misticismo oriental. 

O disco saiu pela Galaxy Records e foi masterizado em parceria com Craig Harman. A gravação aconteceu em plena Siem Reap, capturando o clima tropical e isolado que Mike Bee transforma em canções desde que se mudou para o Sudeste Asiático. 

Antes de virar líder do Acid Fuzz Trio, ele já tinha rodado o mundo como sideman de pesos-pesados do rock britânico e da cena dance.

9 de agosto de 2026

Beth Scalet - Blues in Paradise 1998

 

1. St. James Infirmary - 3:48
 2. Blue Blue Song - 2:48
 3. Come Back Baby - 3:01
 4. Moped - 2:21
 5. Hollywood Movies - 2:52
 6. I Know You're Right - 3:54
 7. Lighthouse Blues - 3:35
 8. Blues in Paradise - 4:05
 9. Going Over Jordan - 1:33
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Beth Scalet abre o paraíso do blues 

Blues in Paradise (1998) é o disco de blues acústico e elétrico de Beth Scalet, misturando clássicos tradicionais com originais cheios de personalidade, lançado pela J-Bird Records

Beth Scalet comanda tudo com sua voz gritty e soulful, guitarra de finger-picking única e harmônica, em faixas que vão do solo puro ao reforço de backing R&B. 

“St. James Infirmary” é o destaque absoluto: uma leitura acústica solo de tirar o fôlego, cheia de emoção e intensidade. “Moped” traz o humor afiado dela em tom de blues leve e irônico, enquanto a faixa-título “Blues in Paradise” fecha com groove e consciência. 

O som é fresco, ao vivo no estúdio, com instrumentação direta que equilibra tradição e originalidade sem firulas. 

Curiosidade: o álbum reúne material original de blues dela com standards, capturando o estilo que ela desenvolveu sozinha ao longo dos anos no circuito folk. O disco é a reissue remasterizada em CD de um trabalho de 1987, quando Beth já era veterana da cena de Kansas City e Ottawa, Kansas

Anos depois ela ainda venceria prêmio Independent Music Awards com sua versão de “St. James Infirmary”, confirmando a força dessa gravação.  

Giles - Dancing With Dolores 2006

 

 1. Maria Magdalena - 5:19
 2. Freedom - 4:39
 3. Letter To Bush - 4:05
 4. Fallen Angel - 2:53
 5. Dancing With Dolores - 5:31
 6. Gypsy Eyes - 2:13
 7. That's Why - 5:17
 8. Mind Your Own Damn Business - 3:45
 9. Wanna Come Home, Father - 5:33
10. Behind Your Eyes - 3:07
11. Just A Shell - 4:59
12. Nutbush City Limits - 3:30
13. Bird On The Wire - 4:42
14. Yearning - 1:49
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Giles faz o blues rock dançar e o mundo tremer

Dancing With Dolores (2006) é o quarto álbum do power trio inglês Giles, um blues rock cheio de groove, guitarra afiada e exploraciones que misturam funky blues com energia psicodélica. 

Mark Koehorst comanda vocal, guitarras, teclados e percussão, ao lado de Piet Koehorst no baixo e Terry Shaughnessy na bateria. A faixa-título “Dancing With Dolores” mistura blues rock com toques de flamenco e tango, “Maria Magdalena” chega com guitarra pesada e blues clássico, e “Freedom” é um cover energético de Richie Havens

O som se define pela guitarra líder de Mark, ritmos dinâmicos e arranjos que evoluem ao longo das faixas, com covers como “Gypsy Eyes” e “Nutbush City Limits” ganhando nova vida. 

Curiosidade: o trio é baseado no noroeste da Inglaterra, com Mark, originalmente da Holanda, escrevendo o material. 

Lançado em 2006 pela May Tree Studios, o disco é o trabalho independente do grupo após o aclamado Blue Funk. A banda se destaca por transformar o blues rock em algo mais inventivo, com jams e variações que fogem do convencional.  

8 de agosto de 2026

Bo Diddley Muddy & Little Walter - Super Blues - Join Forces 1967

 

1. Long Distance Call – 5:15
2. Who Do You Love – 4:10
3. I'm a Man – 5:40
4. Bo Diddley – 4:35
5. You Can't Judge a Book by the Cover – 4:25
6. I Just Want to Make Love to You – 6:07
7. My Babe – 3:52
8. You Don't Love Me – 4:05
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Três gigantes do Chicago Blues no mesmo estúdio e o chão quase cedeu

Super Blues (lançado em junho de 1967 pela Checker Records, braço da Chess) reúne Bo Diddley, Muddy Waters e Little Walter num álbum de Chicago blues elétrico puro, recheado de jam sessions soltas e reinterpretações de clássicos dos três. Bo Diddley e Muddy Waters dividem vocais e guitarras, Little Walter entra na harmônica e nos vocais, com o reforço de Buddy Guy na guitarra, Sonny Wimberley no baixo e Frank Kirkland na bateria. 

O disco explode em faixas como “I’m a Man”, onde Bo e Muddy se desafiam em um duelo de ego e riffs pesados que rodam o estúdio como um tornado, e “I Just Want to Make Love to You”, que ganha extensão de mais de seis minutos cheia de soul e improvisação. “Who Do You Love” traz o tremor característico de Bo enquanto a banda empurra o groove solto e cheio de energia de juke joint. 

Tudo gravado de forma informal em janeiro de 1967 no Tel Mar Studios, em Chicago, produzido por Ralph Bass, com a supervisão de Marshall e Phil Chess — uma sessão que soa como três lendas se divertindo sem pressa, com tremolo pesado de guitarra, harmônica rasgada e ritmo que balança entre o preciso e o espontâneo. 

A gravação aconteceu num único dia e capturou o clima de jam livre, com asides humorísticos e trocas de vocais improvisadas entre os três. O disco foi o primeiro de uma dupla de “super sessions” da Chess; o segundo, lançado no mesmo ano, trocou Little Walter por Howlin’ Wolf.