Kenny Garrett, o saxofonista que já tocou com todo mundo que importa, lançou Sounds from the Ancestors em 2021 pela Mack Avenue Records – o quinto dele no selo. É jazz moderno, denso e cheio de groove, misturando ritmos da diáspora africana, afro-cubanos e aquele espírito de gospel e Motown que vem direto das raízes de Detroit.
O time de base é de respeito: Vernell Brown Jr. no piano, Corcoran Holt no baixo, Ronald Bruner na bateria e Rudy Bird na percussão, com participações especiais como Maurice Brown no trompete e Dreiser Durruthy nos batás e vocais.
As faixas que mais grudam são “For Art’s Sake”, um tributo matador pro Art Blakey com bateria fora do eixo e energia que explode; “Hargrove”, homenagem ao Roy Hargrove que ainda encaixa um refrão de A Love Supreme do Coltrane; e “It’s Time to Come Home”, que abre e fecha o disco com um swing dançante e vocais que dão aquele arrepio. O som tem sax lírico do Garrett, improvisos que voam alto, percussão rica e mudanças de clima que te deixam preso do início ao fim.
O conceito nasceu das memórias de infância dele em Detroit: aqueles discos de Aretha, Marvin Gaye e Coltrane que ele guardava pra tocar no Natal e sentir a alma cheia. E olha que o cara estreou aos 18 anos na Orquestra de Duke Ellington e passou cinco anos na banda do Miles Davis – bagagem que não tem preço.




